quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O grande desafio da Educação Formal: o trabalho com a diversidade




Creio que hoje um dos maiores desafios da Educação Formal é o trabalho com a diversidade. Tema tão falado, tão recorrente, tão “na boca de pedagogos e afins”, assunto de vanguarda. Não há discurso educacional que se preze que não fale de diversidade. Mas, o que é trabalhar com a diversidade? Com a diferença? É simplesmente negar as diferenças e colocar as pessoas no mesmo patamar? É dizer “que bom, o que seria do amarelo se não fosse o branco, somos todos diferentes” e negar a história e a luta de muitos grupos pra chegar aonde chegaram? E o que significa trabalhar com a diversidade na escola? É vislumbrar o acesso de todos e todas sem distinção? Mas, e acabado o problema do acesso, como incluir os que já estão na escola, mas não se encaixam em suas “forminhas” pautadas em modelos construídos a partir de estereótipos e de relações de poder que ditam regras, que ditam o que é normal?
Infelizmente (ou felizmente), a escola reflete todas as contradições e desigualdades presentes na sociedade, mas da mesma forma, reflete também uma transformação possível através dos conflitos, da luta, da mudança.
Mas como mudar, em uma escola engessada em modelos prontos, em modelos onde a identidade não problemática ainda é ser Homem, branco, classe média, cristão, adulto, heterossexual? De que forma entram as mulheres, os pobres, os ateus, as crianças, os idosos, os homossexuais, os que não se alfabetizam, os alunos com necessidades educacionais especiais?
Onde está a formação de qualidade para que os docentes dêem conta dessa diversidade toda?
Onde está a vontade política para que haja essa formação de qualidade?
Quem avalia a qualidade de uma escola?
O que é qualidade na Educação?
Para que haja uma escola que seja construída para a diversidade, é necessário que haja discussão, que haja a construção deu um Projeto Político Pedagógico que apresente uma concepção de Educação humanista, que veja a diferença, mas que esta não seja base para desigualdades.
Essa escola é possível sim. É necessário construir um projeto. Cuidar das pequenas coisas, das relações que se estabelecem na escola e de como elas se estabelecem, é necessário olhar seus alunos e alunas como pessoas que merecem respeito ao que são, independente de sua classe social, idade, orientação sexual, etnia, gênero, religião... independente de aprender facilmente ou de apresentar maiores dificuldades... para tanto, é necessário que o/a educador/a encare de frente seus próprios preconceitos e entenda que, independente de sua opinião a respeito do que é diferente dele/a, a escola é um espaço público, portanto, o espaço da diversidade. Como fazer isso? A partir de agora, falarei cada dia um pouquinho sobre ações que podem contribuir para o trabalho com a diversidade na escola. Até breve!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O início de um ano letivo...


Olá a todas e a todos que acompanham este blog ou que caíram nele por algum motivo nesse momento. Sou coordenadora pedagógica de uma Escola Pública Municipal da cidade de São Paulo e gostaria de compartilhar com vocês como foi o retorno dos/das docentes em mais um ano letivo. A equipe gestora bem antes do retorno dos/das professores/as, já começa a refletir sobre como preparar esse retorno para que dê base para pensar as ações na escola durante todo o ano, de que forma propor as reflexões, quais reflexões propor, enfim, para nós, esses três dias (apenas!) de reflexão são muito relevantes e, conseqüentemente, precisam ser minuciosamente preparados/das.

A equipe gestora pensou então que seria de extrema relevância iniciar discutindo o PPP (Projeto Político Pedagógico) da escola. É a linha mestra da Instituição, é o que delineia as ações, é aquilo que deve ser revisitado a cada dia. Nosso PPP constitui-se de objetivos, carta de princípios e reflexões que devem permear a construção do currículo. Pensou-se também que seria interessante voltarmos às questões colocadas pela própria equipe docente na Avaliação da Unidade Escolar no fim de ano anterior. A necessidade de pensarmos posturas docentes comuns em relação a questões práticas da escola também foi pauta das reuniões e, ainda, o planejamento dos primeiros dias de aula com os/as alunos/as.

Como é prática em nossas reuniões (dada a necessidade de incluirmos outras linguagens em nosso universo cultural), utilizamos também a literatura e a música como sensibilizadoras para as discussões propostas. Sendo assim, no primeiro dia ouvimos a música Isso é só o começo, de Lenine e foi lido o texto “Confraternização escolar”, de Castelo (escritor e compositor nascido no Piauí). Em seguida, passamos à apresentação dos/das professores/as e funcionários/as novos/as e então à discussão do PPP.

No segundo dia, a leitura feita foi o texto de Affonso Romano de Sant´Anna, “Desaprendendo a lição” e a música de Gabriel Pensador, Estudo errado. Após a apreciação da música e da leitura, passamos a discussão dos encaminhamentos para 2012 a partir de avaliação feita ao final do ano letivo de 2011. Entre os encaminhamentos (que daria discussão para outros textos) estão: a necessidade de grupos de trabalho interdisciplinares para acompanhamento discentes que apresentam dificuldades de aprendizagem ou outras. Dentro disso, pontuou-se a necessidade de estabelecimento de critérios para criação dos grupos de alunos/as; formação contínua de docentes com o tema da avaliação interna e externa; realização de reuniões de pais, mães e responsáveis no período noturno para as famílias que trabalham durante o dia e não podem comparecer outro horário; realização de reuniões formativas com as famílias para discutir temas de interesse; planejamento conjunto entre último ano do ciclo I (quarta-série) e primeiro ano do ciclo II (quinta série); desenvolvimento de pesquisa científica em todo o ensino fundamental, com defesa de TCC (Trabalho de conclusão de curso) na oitava série (nono ano do ensino fundamental de 09 anos); formação docente para uso das TIC´s (Tecnologias de informação e comunicação) para além do uso da Internet, explorando todos os recursos dos laptops educacionais “XO” do Projeto UCA (Um computador por aluno), entre outros.

No terceiro dia, ouvimos a música Livros, de Caetano Veloso e foi lido o texto “Texto para leitura”, de Fernando Bonassi (que fala sobre livros). Em seguida, discutimos as posturas docentes comuns em relação à atitudes com os/as alunos/as dentro e fora de sala de aula e também em relação à didática, pontuando, por exemplo, a necessidade de dinamizar as aulas, trabalhar mais interdisciplinarmente e em conexão com Professor Orientador de informática Educativa e Professor Orientador de Sala de Leitura, trabalhar de forma que o/a aluno/a seja  mais ativo/a, trabalhar com pesquisa científica, trabalhar com o desenvolvimento de Projetos (com proposta de formação docente pela coordenação, feita em horários coletivos), dar continuidade ao projeto de brinquedos e brincadeiras em todo o Ensino Fundamental e introduzir as novas tecnologias no desenvolvimento do trabalho. Após pontuarmos as questões explicitadas, a idéia era a dos/das professores/as pensarem na recepção dos/das alunos/as, com atenção especial às crianças de 06 anos que chegam para o primeiro ano e aos/as alunos/as da quinta série (sexto ano) que mudam de ciclo e precisam organizarem-se frente à tantas novidades.

Mais um ano letivo inicia-se e com ele, muito trabalho pela frente. Sempre pensando na construção da escola pública que queremos. Até a próxima!

Bibliografia citada:

CASTELO. Confraternização Escolar. In: Blônicas, Ed. Jaboticabas, SP, 2005.

SANT´ANNA, Affonso Romano de. Desaprendendo a lição. In: Coleção Melhores Crônicas, Global, SP, 2003.

BONASSI, Fernando. Textos para leitura. In: Dentro de um livro (autores diversos), Editora Casa da Palavra, RJ, 2005.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Um blog dedicado à leitura por prazer


Olá leitoras e leitores que acompanham o meu blog: criei um novo blog para compartilhar ideias, poemas e textos com vocês. O intuito é divulgar meus textos e também compartilhar escritos de autores/as que eu gosto, que me fazem melhor, que me fazem viajar... confiram com apenas um clique:

http://www.poemasetextos.wordpress.com

Espero que gostem!

Abraço,
Edna Telles

terça-feira, 24 de maio de 2011

Poema: Menino do mundo masculino

O que fizeram com o menino nesse mundo masculino?
Lhe ensinaram a mijar em pé
A cuspir no chão
A coçar o saco
E olhar pra bunda das garotas
Ele precisa brigar
Defender seu status de homem macho
Qual é o preço da honra que lhe ensinaram a defender?
Qual é o preço das contas que ele deve pagar?
A responsabilidade financeira por outros seres
Ele desde cedo, menino no mundo masculino
Já não pode chorar
Sentimentos há que segurar
Afetos só heteros e obrigatórios
Ali, naquele momento
No seu mundo violento
Que mata homens e mulheres
Que mata a si mesmo
Nas estatísticas de mortes jovens e masculinas
Esse menino do mundo masculino
Que cresce em meio à intolerância
Que aprende a gerar desafetos com os seus pares diferentes
Cria estados inaceitáveis de violência
Eu quero mesmo são os masculinos plurais
Eu quero libertação para meninos e meninas
Num mundo mais colorido e humano
Cadê o menino do mundo masculino?
Morreu numa briga
Sem motivo
Menino do mundo masculino

Autoria: Edna Telles

terça-feira, 17 de maio de 2011

Educação do olhar: a diversidade brasileira


Em um sábado deste mês de maio, a equipe da escola onde trabalho, a EMEF Ernani Silva Bruno, foi visitar a exposição “Mães de Umbigo – parteiras da Amazônia”, no SESC Pompéia.  Foram professores/as, equipe gestora e demais funcionários/as. O objetivo principal era  ampliar o repertório cultural de todos/as nós, construir um outro olhar para as relações humanas e perceber o quanto de diversidade cultural temos em nosso país.  Segundo Danilo Santos de Miranda (diretor regional do SESC São Paulo) a exposição fotográfica “Mães de umbigo – parteiras da Amazônia”, ao retratar as questões relativas à gravidez e ao parto em um contexto cultural diverso dos grandes centros urbanos pretende despertar o olhar à variação cultural brasileira. O intuito de ampliar a educação para o olhar, nos territórios do perceptivo e do emocional proporcionados pela arte, reafirma seu compromisso com a difusão cultural voltada para o exercício do pensamento. Ampliar o repertório visual reitera uma sensibilização que nos permite vislumbrar os conteúdos simbólicos presentes no coletivo que emanam da arte e convidam para a busca por variadas interpretações, fruto de uma visão atenta às diferentes modulações da paisagem humana. Confiram abaixo a chamada para a exposição, em breve postarei os registros fotográficos que fiz.

Mães de Umbigo - Parteiras da Amazônia
SESC Pompéia

26/04 a 26/06 de 2011.
Terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 10h às 20h.


Exposição que retrata o cotidiano das parteiras tradicionais da região da floresta amazônica brasileira (estados do Amapá, Acre e Pará) e convida a uma jornada íntima através de realidade pouco conhecida por todos nós. O projeto, realizado entre 2000 e 2004 pela fotógrafa e cineasta Stephanie Pommez, reúne um ensaio com 53 fotos e um documentário produzido em parceria com a Zed, Arte e National Geographic Channels (Amazonie, la vie au bout des doigts). As imagens mostram momentos da vida dessas mulheres ribeirinhas, que moram em comunidades nas margens das centenas de rios e igarapés da Bacia Amazônica e que guardam a vida, os costumes e a cultura desta região. Algumas delas começaram sua jornada de parteiras por acaso, ao assistir partos de familiares ou vizinhas; outras foram iniciadas por parteiras mais velhas da própria família - suas mães, tias, avós. Para além do acaso e do conhecimento, para elas o verdadeiro pré-requisito deste ofício é possuir o que descrevem como um “dom de Deus”. Mães de Umbigo é um registro intenso de como a vida humana se faz chegar na amazônia brasileira. A exposição conta com uma equipe de educadores para realizar visitas mediadas e o agendamento de grupos pode ser feito pelo telefone 3871-7700, de terça a sexta-feira, das 13h às 18h, ou pelo e-mail agendamento@pompeia.sescsp.org.br

(acesso em  17/05/2011, às 11h19)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O dia 05 de maio de 2011 ficará na história!




Hoje, dia 05 de maio de 2001 foi um dia decisivo na história da conquista de direitos para cidadãos e cidadãs desse país. O STF decidiu, por unanimidade, o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo. Todos os dez ministros aptos a votar foram favoráveis a estender a parceiros homossexuais direitos hoje previstos a casais heterossexuais. A partir de agora , casais homossexuais têm direito à união estável, acesso a herança e pensões alimentícia ou por morte, além de tornarem-se dependentes em planos de saúde e de previdência, o que pode facilitar também a adoção de filhos/as por casais homossexuais.
A união estável, prevista na Constituição Federal (art. 226, parágrafo terceiro) e no Código Civil (art.1723), é tratada como uma entidade familiar e, por isso, regida pelo direito da família. É essa nova interpretação que se estende aos casais gays pela decisão do STF.
É relevante ressaltar que essa é uma conquista que vem da luta de muitos homens e mulheres em movimentos sociais, o movimento LGBTT, movimento de mulheres, movimentos educacionais, entre outros, a favor da equidade e da justiça social, de todos/as aqueles/as que querem ver um mundo melhor, onde todo ser humano possa ter os mesmos direitos independente de seu sexo, raça/etnia, classe, idade, gênero, orientação sexual. É uma conquista que merece comemoração.
Nós, educadoras e educadores defensores/as de uma educação humanista, por princípio somos contra qualquer tipo de desigualdade e, portanto, diante dessa grande conquista, devemos compartilhar e discutir com nossos/as alunos/as o que isso significa em termos de avanços na busca por justiça social.
Parabéns a todos/as aqueles/as que, de alguma forma, seja na escola, na academia, na militância, na vida cotidiana defendeu essa causa hoje ganha! Sempre vale a pena continuar! E ainda temos muito a conquistar!

Edna Telles

Fonte da imagem:
 

terça-feira, 26 de abril de 2011

A mulher morta

A mulher morta

A mulher morta é aquela a que lhe foram negados seus direitos
De ir e vir
De decidir por parir ou não parir
A mulher morta é aquela que não sente prazer
Mesmo trepando pra valer
A mulher morta é aquela que não consegue alimentar seus filhos
Mesmo trabalhando sem parar
A mulher morta é aquela que espera por alguém que não virá
Ela é aquela que cala
Porque morta não fala.
A mulher morta é aquela a qual não a deixaram trabalhar
É aquela que apanha e não denuncia
A mulher morta é a que tem vergonha do marido e medo do desconhecido
Os índices estão errados
Há muito mais mulheres mortas do que vivas,
Corrijam seus dados
Nossa sociedade é um cemitério de mulheres!

(Esse poema é de minha autoria)

Obs. A imagem foi retirada da seguinte fonte:  
http://downloads.open4group.com/wallpapers/1024x768/olhar-da-mulher-sofrida-25539.html